sábado, 13 de fevereiro de 2010

Máscaras Carnavalescas



Sempre passo longe do Reino de Momo.
Talvez por ser geneticamente prejudicada, meus passos carnavalescos são mais apropriados se ficarem guardados dentro do armário.
Mas como estamos passando pela Festa da Carne, num feriadinho muito aguardado pelos trabalhadores, principalmente os brasileiros, me cutucou a mente um assunto que condiz bem com a data.
O carnaval é sempre associado ao uso de máscaras. Lembro que na minha infância o ápice do carnaval era quando sobrava alguns trocados lá em casa prá gente comprar uma máscara de papaelão no armazém da esquina. A minha, invariavelmente, era aquela da pequena notável, com aquela cestinha de frutas terrível na cabeça. Não que fosse meu gosto pessoal, mas ainda preferia a Carmem Miranda ao macaco ou o pirata, além do que minha irmã sempre chegava primeiro e garantia o palhaço. Há trinta anos atrás a variedade carnavalesca era muito limitada.
Mas não é sobre esse o assunto que quero falar, me refiro aqui às máscaras que caem. Aquelas que as pessoas inventam com um toque pessoal e desfilam soberbas durante o ano inteiro ou, às vezes até por anos à fio.
Fico me questionando o porque de essas máscaras sempre caírem e concluo que caem por serem artificiais e nossa essência humana não é artificial. Em algum momento não será possível manter os detalhes dessa máscara e ela passará a sufocar aquele que estiver debaixo dela. Será preciso retirá-la para poder respirar livremente. Mesmo que ela seja recolocada em outro momento, em frente à outras pessoas, em algum momento será necessário respirar. Nossas células clamam por isso. Isso se chama essência.
Nossa essência tem um enorme instinto de sobrevivência, além de ser um pouco arrogante. Mesmo que coloque a máscara com todo o cuidado, num milionésimo de segundo pode acontecer um imprevisto e pimba: lá está a dita máscara jogada no chão. Nossa essência fala mais alto e precisa se mostrar integralmente.
Então me pergunto: Porque usá-las? Não será muito mais confortável mostrar a própria cara, sem ter de ficar se preocupando em segurá-las firmemente?
Observo muito disso nas redes sociais. Pessoas inseguras de sua verdadeira essência constroem máscaras de seres humanos perfeitos e levam a farsa até onde podem, mas são traídos por si próprios num momento de arrogância espiritual. Sua essência percebe que está sendo sufocada e trapaceada, então ela grita, ela quer mostrar que existe ali embaixo do papelão.
Então vem as decepções, as tristezas, enfim, quem já não presenciou a queda de uma máscara que atire a primeira pedra.
Nesse carnaval, procure fazer um movimento contrário: rasgue as máscaras e não volte a usá-las. Sua essência agradece.

2 comentários:

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Adorei o "Talvez por ser geneticamente prejudicada" rs...somos dois, então pq japa de um lado e do outro castanholas e pizza não combinam com passos de samba.

Mentir, inventar história dá mais trabalho né. Pior que é assim mesmo. Viver uma história assim cansa, pq não é verdadeira. Não preenche por dentro. E dá trabalho manter a pose, a máscara.

Muito bom seu post, gostei muito da analogia com a máscara de carnaval.

Tânia disse...

Mari minha amiga. Não é a primeira vez que visito teu blog, mas hoje, quis te deixar meu carinho e dizer que adoro tudo o que escreves, mas esse texto veio de encontro ao momento pelo qual passo. Lendo e me vendo também na minha infância, onde eu gostava das máscaras e procurava sempre alguma de princesa, quase nunca encontrava e ficava com a do palhaço mesmo, rsrsr
Esse feriado de carnaval, serviu para eu me recolher junto a família, ver, observar e sentir os acontecimentos , sentimentos das pessoas que me rodeiam, e ao ler teu texto me vi num grande baile de máscara...acho que a vida é uma baile de máscaras, e que a musica deste baile faz com que as pessoas se manifestem, ou seja, vivemos ( dançamos) conforme a musica. Musica triste, nos fazem triste, alegre, nos fazem alegres e as máscaras vão mudando conforme os sentimentos. E quando as musicas que nos amedrontam, muitas máscaras caem, pois as pessoas não querem dançar junto com a gente, nos abandonam e nos deixam sozinhas...E as máscaras da boa companhia, dos bons amigos, dos verdaeiros amigos, dos amigos sinceros?...ah!!! essas são as que no final do baile ficam derrubadas pelo chão...é minha amiga, minha máscara também caiu nos últimos tempos...a tal máscara de palhaça. No final deste recolhimento, onde pude ver quem está verdadeiramente ao meu lado, sobrou, graças a DEUS muitas pessoas especiais e VERDADEIRAS, e você é uma delas. Obrigada amiga querida.