domingo, 7 de dezembro de 2008

Caixa de Pandora

Não considero o câncer como um presente, pois eu não o daria a ninguém. O que não posso negar é que ele parece muito com uma caixa de Pandora. Quando aberto pode deixar qualquer coisa escapar. Depende do que temos dentro do coração. Esse pobre músculo sim, é a verdadeira caixa de Pandora.
A caixa armazena aquilo que fomos catando durante a vida. Vamos colocando cuidadosamente, acomodando, ajeitando, reorganizando de vez em quando e a vida segue com seus altos e baixos. São como as bugigangas que guardamos no sotão e que sabemos que estão lá, mas as vezes nem sabemos por quê. Ficam ali jogadas como se estivessem num limbo eterno, esperando a hora do juízo final decidir o que acontecerá definitivamente com elas.
Assim tratamos nossos sentimento: com um certo desleixo. Resolvemos as coisas importantes primeiro, empurramos o resto com a barriga. Um dia vejo isso!! Mas esse dia nunca chega e nossos sentimentos ali empilhados vão acumulando anos de pó e mofo. Um dia não prestam mais.
Situações limite geralmente servem de espanador para esse pó, como um terremoto que desorganiza tudo e nossa tarefa depois é juntar os cacos daquilo que ainda pode ser colado e restaurado.
Algumas coisas podem ser restauradas, outras não.
Nossa Caixa está lá aberta e bagunçada...Meu Deus, quanto trabalho reorganizar aquilo que levamos uma vida prá empilhar.
Vendo tudo esparramado pelo chão a única alternativa é ser prático e decidir o que ainda pode ser guardado e o que não vale a pena.
Depois de passar por isso de forma meio tsunâmica chego a conclusão de que esse amontoamento de quinquilharias não é nada saudável. Além de ocupar um espaço muito grande e pesado que temos que carregar vida a fora o mofo é, comprovadamente, maléfico prá saúde.
Meu conselho, se é que vale alguma coisa: não guarde porcarias. Guarde apenas aquilo que é importante e não por muito tempo, pois se é importante pode ter o azar de pegar umidade de nossas lágrimas e aí já viu: mofo na certa.
Não sobrecarregue sua caixinha. Deixe que ela tenha mais lugar para as felicidades do que para as tristezas. Limpe sempre que possível. Nesse caso a qualidade é muito melhor do que a quantidade. Pode acreditar.


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2 comentários:

Larissa Bohnenberger disse...

Este final de semana eu estive faxinando meu quarto e decidi jogar no lixo tudo o que era inútil e que, por algum motivo, estava ali, guardado, pegando pó e atravancando o pouco espaço que eu tenho. O que é que isso tem a ver com o que eu acabei de ler? Muito. Pessoas que tê a mania de guardar porcarias no sentido real, geralmente são as mesmas que teimam em acumular porcarias emocionais também. Não sei se vc já reparou. Eu resolvi adotar isto para absolutamente tudo: Não me serve pra nada? Joga fora no lixo!
Bjão!

Anônimo disse...

Em se fazendo uma longa caminhada, como a vida, devemos decidir o que levar em nossa "mochila". Simples e óbvio! Portanto, se transportarmos algo além de nossas necessidades as conseqüências serão imediatas: dores, bolhas, asssaduras, cansaço e dificuldades. A decisão nos pertence. CARPE DIEM.