terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Coincidências

Não sei se coincidências existem ou não. Ainda preciso pensar mais à respeito. Talvez em uma próxima postagem.
O que sei é que aconteceu algo meio inominável. Vou contar a história e tomem suas próprias conclusões.
Final de 2007, tarde modorrenta de novembro. Estava sentada na escada de minha casa com umas amigas, rindo e falando bobagens. Uma das maiores bobagens que já saiu de minha boca. Minha amiga Sica, que participava da conversa, e eu concordávamos que era urgente que perdêssemos alguns quilinhos. Mas como faríamos isso?? Várias alternativas eram descartadas, uma a uma. Todas muito falíveis para o nosso gosto. Até que decidimos que a melhor alternativa seria arrumar um câncer. Sim, estávamos falando bobagens, lembram? Não era nenhum papo filosófico, que fosse acrescentar algo para a humanidade. Rimos muito de nossa decisão e seguimos nossas vidas.
No início de dezembro, marquei exames e consultas de rotina para terminar o ano com a paz de espírito de quem fez tudo certinho. Exames prá cá e prá lá, quando, ops, tem algo errado aqui. Sim, bem aqui no meu seio.
Um mês e vários exames se passaram até que peguei o laudo final. Todos vocês já sabem o que era.
Alguns meses lá na frente, quando já estava quase no fim dessa estrada truculenta, que é a estrada do câncer, minha amiga e companheira de péssima decisão teve um probleminha bem pequeno de pressão. Por um acaso que não compreendi bem até hoje, o médico que a atendeu no plantão recomendou que ela fizesse uma tomografia de tórax pois desconfiava que estivesse com a aorta seccionada. Não que ela tivesse qualquer sintoma de ter um problema tão grave, mas pelo sim pelo não, fazer o exame não custaria nada. A médica que atendeu confirmou realmente, que sua aorta estava tão selada quando no dia em que ela nasceu. O resultado geral da tomografia sairia dali alguns dias. Quase que ela não busca o laudo do exame...
Numa tarde fria de inverno ela pegou uma caroninha comigo até Porto Alegre para, por descargo de consciência, ver o que dizia a averiguação final da tomo. O gato subiu no telhado.
Mais uma médica displicente pelo caminho, que recomendou que repetisse o exame dentro de uns meses para observar o crescimento (ou não) daquele intruso no seu pulmão e alguns meses perdidos separaram aquela tomo das mãos de um bom médico que recomendou pressa para uma nova tomografia.
Daí prá frente vieram exames, uma biópsia que se transfoumou em grande cirurgia, uma recuperação traumática e um diagnóstico bombástico: Câncer de pulmão.
Dizem que devemos cuidar o que falamos. Hoje cuido mesmo. Ela também.
Vivemos nesse ano o castigo de não ficar de boca fechada ao passar por tudo isso. Castigo ou coincidência?? Não sei.
A única coisa que sei, coincidência ou não, é que a Sica tá bem magrinha. Já eu, continuo de dieta.

2 comentários:

Larissa Bohnenberger disse...

Ah, pois é!
Eu sempre digo que a gente tem que cuidar muito com o que pede, pois Deus tá ouvindo sempre, mas ele só vai atendernos quando quiser!
Não tenho nenhum exemplo tão sério para compartilhar contigo, mas quando criança eu era um pauzinho de virar tripa. Vivia dizendo que preferia ser gorda a ter aquela aparência desnutrida. Fui atendida, tanto que luto contra a balança até hoje! Agora, pergunta se ele mandou o Gianechhini que eu vivo pedindo??? Rsssss!

Mari, querida, Feliz Natal, um 2009 repleto de coisas boas pra ti e pra tua família linda (inclusive os cachorros). Bjão!

Carol Borne disse...

Apoizé... sabe quando Mulheres Apaixonadas passou pela primeira vez? Então, eu via o Claudio e a Edwiges e vivia pedindo 'um Claudio' pra mim. Um ano depois, conheci o Claudio. Nome, cor de olho, cor de cabelo... tudo bem como que queria, mas... longe de ser o Claudio da Edwiges, me estrepei com o pedido. Me estrepei feio, jurando que ele era TUDO que eu queria da vida. Mas ele não era nem a metade. E, ainda por cima, por causa dele eu quase morri.
Mas isso é uma outra história.
Temos que cuidar da boca e dos pensamentos. Vai que tem um anjo desastrado escutando e resolve atender o pedido? Uuuuiiii!