terça-feira, 20 de abril de 2010

Gentileza gera Gentileza

A frase já é até batidinha, mas jamais deixará de guardar em sí a maior expressão da verdade.
Dias atrás estava no retorno da Barão do Amazonas, para entrar na Ipiranga e, por descuido confesso, 'fechei' um táxi que vinha ao meu lado esquerdo. Sem perda de tempo o taxista buzinou freneticamente e gesticulou nervoso dentro do táxi com seus passageiros. Posso ouvir suas acusações:
-Mulher, só podia dar nisso.
Talvez ele tenha usado até palavras obscenas para descrever minha imperdoável barbeiragem, mas prefiro pensar que ele tenha sido mais contido e respeitado seus passageiros...
Minhas veias, que são habitadas por sangue e não por água mineral, na mesma hora ferveram e já estava quase empatando com ele na raiva, quando pensei num mantra e respirei fundo: calma.
Segui pela Ipiranga e quando parei no sinal vermelho o taxista emparelhou comigo e me olhou com a cara mais feia que alguém já me olhou. Através dos vidros fechados vi que ele falava algo. Sabe qual seria a mina reação natural? Abrir o vidro e mandar o taxista para aquele lugar. Aquele, aquele mesmo, de onde vem os filhos das mulheres de vida fácil. Mas tomada por uma calma anormal apenas olhei prá ele e disse:
- Me desculpe.
Ele me olhou ainda com aquele olhar malvado e repeti:
- Desculpe...
O que vi nos olhos daquele taxista me mostrou que vale a pena sim, ser educada e tratar bem as pessoas. Ele ficou simplesmente desarmado. Um simples pedido de desculpas, que não custou nem mesmo um pouquinho de orgulho, salvou o dia de duas pessoas. O meu e o dele.
Imagina se eu tivesse deixado meu lado "senhor Pateta" assumir o controle? Poderíamos até mesmo estampar a capa da Zero Hora do dia seguinte, mostrando o caos e a violência no trânsito.
Mas não, seguimos nossas vidas atrás de nossos volantes graças a mais eficaz campanha de desarmamento que temos notícia: a gentileza.

4 comentários:

FRED disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
FRED disse...

Cara amiga Marilisa, primeiramente gostaria de agradecer a sua participação em meu Blog, acredito que nunca é "meu" e sim "nosso" pois todos colaboramos com um pouquinho, em todos os sentidos crescemos juntos.

Em relação a este artigo, vc relatou de maneira fiel o cotidiano das metrópoles; passei por incontáveis situações como essa, moro em Santos e trabalho em São Paulo, Horto Florestal - precisamente - assim não preciso explicar minha Epopéia diária... rsss.

Gostaria de encerrar parabenizando-a pela atitude, não só no trânsito, mas em expor um pensamento voltado a Paz, e nesse aspecto o mundo é muito carente.

Namastê.

Claudia Cardeal disse...

Mari, olha que fácil! E se todos pensassem assim já faria uma diferença enorme nesse mundo selvagem em que vivemos, né?

Simone disse...

Fizeste o que recomenda o sábio Salomão em Provérbios 15:1: "A resposta delicada acalma o furor, mas a palavra dura aumenta a raiva". Bjs.