segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Revolta da Esmola

Hoje cheguei a uma irrevogável decisão.
Não darei mais esmolas. Nunca mais. A ninguém.
Tá, tudo bem, pode ser que eu abra alguma exceção em algum momento crucial. Mas por hoje minha decisão é inegociável.
Estava parada no sinal no entroncamento da entrada para a cidade de Viamão, quando vi que se aproximava do carro um rapaz negro, de boa aparência e excelente vestimenta. Confesso que gostei muito da camiseta dele.
Quando ele chegou perto já foi enfiando a mão para dentro do carro com um santinho na mão e me dizendo que precisava de uma contribuição para comprar comida. Comida, comida...ele não cansava de repetir num tom de voz alterado. Catei no meio das minhas 'moedas pronto socorro' alguns niqueis e coloquei em cima do santinho. Na hora nem vi quanto era. Eram duas moedas e poderiam ser de R$1,00 cada uma, mas eram apenas de R$0,10 e R$0,5. O rapaz, que já tem os olhos acostumados a reconhecer de longe o valor das moedas só com um breve relance de olhar disse em tom de fúria: -Ah, R$0,15, não, não quero não!! Pode ficar...Eu ainda tentei argumentar que o sinal havia abrido e que eu precisava acelerar e ele simplesmente jogou as moedas em cima de mim, dizendo que isso ele não aceitava.
Então ficou em mim a pergunta que não quer calar: Será que prá quem quer comprar "comida" não poderia juntar esses míseros R$0,15 centavos com mais outros tantos que certamente ganharia no final do dia e comprar o que comer? Se ele tivesse sido educado certamente eu lhe daria mais numa próxima oportunidade, quando passasse por ali, mas diante da agressão que sofri por parte de uma pessoa que não me parecia estar com fome, além de ter bastante grana para comprar uma camiseta de marca (o que eu mesma não tenho), a minha possível reação agora seria a de passar com o carro por cima dele. E ele que agradeça se eu não der ré!

4 comentários:

Blog Lost in Japan disse...

Que horror isso! Mas sabe, isso já aconteceu comigo no Brasil uma vez. Tb peguei o dinheiro correndo, pq estava com pressa. E a pessoa jogou o dinheiro em mim e ainda falou "vc deve precisar mais que eu, morra no inferno pao duro".

Tomei a decisão de nunca mais ajudar ninguém. Melhor ajudar a alguma campanha, e mesmo assim, bem selecionada. Ajudo só quem eu sei que precisa mesmo agora.

q coisa chata isso...
bjs e bom dia, estava com saudades de ler seus posts.

Bloguinho da Zizi disse...

Marilisa
Infelizmente nossos "pobres" estão assim....seletivos quanto ao que damos.
Lembro-me que um dia estava na varanda de minha casa e uma vizinha tinha acabado de dar um pacote de bolachas para um rapaz bem vestido, que se dizia surdo e mudo.
Ele pegou o pacote de deixou no muro de outra casa e acenou negativamente e fez o movimento do polegar com o indicador mostrando que o que queria era dinheiro e não bolachas.
Enfim... assim está o nosso mundo.
Corremos o risco de não ter nada e sofrer uma agressão por isso.
Século 21...

Beijinhos

Larissa Bohnenberger disse...

Eu nunca dei esmola em dinheiro para ninguém. E é uma decisão racionalmente tomada desde que eu era criança e vi uma cena de dar raiva. Eu estava no carro do meu pai esperando ele voltar do super. Tinha um gurizinho pedindo dinheiro pra comprar comida. De repente este gurizinho abordou uma senhora que estava saindo cheia de sacolas. A senhora parou, largou suas compras no chão, abriu o saco de cacetinho e deu para o guri um pão. Mas era daqueles que acabaram de sair do forno, que dá vontade de comer puro, sabe? Sabe o que o guri fez? Atirou o pão no chão, atrás da roda do carro. Nunca mais esqueci daquilo, e, naquele momento, prometi pra mim que quando fosse adulta nunca daria esmola a ninguém. Em primeiro lugar, pra fazer caridade existem outros métodos. Em segundo lugar, tem mendigo que ganha mais que eu, só pedindo esmola. E ainda por cima não pagam imposto. Ah, vai se catar! Tô contigo e não abro, Mari!

Bjocas!

Anônimo disse...

Sabe como eu resolvi esta falta de educação? Andando com biscoitos e balas no carro. Dindin eu não dou pq muitas vezes se converte em drogas, alimento na pior das hipóteses outro come. Bjks