domingo, 1 de fevereiro de 2009

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará

Agora a pouco estive lendo uma postagem numa das comunidades sobre câncer do orkut da qual participo e que mexeu comigo. Uma amiga escreveu sobre o dever que temos de esclarecer a todos sobre o câncer e tentar acabar com o preconceito que existe em volta dessa doença.

Na verdade eu, propriamente, nunca fui vítima desse preconceito, mas já vi muito dele por aí.

Já tá prá lá de na hora de tirar o véu da ignorância de cima dele e enxergá-lo como uma doença que apresenta excelentes chances de cura e que quase sempre apresenta menos sequelas do que um enfarto ou AVC.

Doenças nunca são boas do ponto de vista clínico, mas se por uma infelicidade aconteceu com a gente o negócio é encarar de frente e matar no peito. Literalmente.

Existem momentos de choro e desespero, sem dúvida. Mas isso não representa cavar um buraco e se esconder como uma avestruz. Assim, no primeiro vacilo, vem alguém e joga terra no nosso buraquinho e ai babaus...

Tabus sempre existiram e existirão. São eles que nos impulsionam a erguer bandeiras e derrubar muros. Benditos sejam ou estaríamos atados à época das cavernas.

Quando soube que estava com câncer fiquei estática por alguns dias. Me sentia uma samambaia. O único sentimento presente era o medo.

Quando o choque inicial começou a ceder vi que era necessário buscar informações. Se, ainda hoje fechar meus olhos e pensar forte consigo ter a sensação física que tive quando fui ao templo de "são Google" e escrevi "carcinoma ductal infiltrante". Fisicamente havia algo muito errado com meu corpo do pescoço até as coxas e meus braços e pernas pareciam feitos de gelatina. Emocionalmente apenas rezava pedindo à Deus que a conexão caísse e eu não pudesse acessar nenhum site que desfizesse o nó da venda em meus olhos. Mas a conexão não caiu. Ainda bem. Claro que num primeiro momento fiquei ainda mais perdida e não entendi patavinas. Também, nunca vi tantos nomes feios na minha vida. Todos eles fortaleciam meu medo insano. Um medo paralisante. Eu estava petrificada.

Hoje já consigo perceber que meu medo era resultado da minha ignorância. Por ter apenas agendamentos negativos sobre aquela doença, que muitos não tem coragem de pronunciar o nome, fiquei tão assustada.

Após catar informações onde pudesse encontrá-las (meu mastologista brinca comigo, dizendo que daqui a pouco vou saber mais do que ele sobre câncer de mama), tento compartilhar com aqueles que precisam. Acho que tenho a obrigação de "espalhar a boa nova".
A boa nova é que o câncer, assim como diabetes, pressão alta e aids, mata. Sim, ninguém nunca disse que não matava!! Mas como outras doenças, se seu diagnóstico for precoce e rapidamente tratada, poderá ser controlada e até curada. Para isso basta se perceber mais, se tocar mais, para que seja lá o que for, seja descoberto no início. Esse é o pulo do gato.

Nesse caso espalhando a boa nova poderemos dizer: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"

2 comentários:

Ana Paula Sampaio disse...

Mari, muito show, amiga! Gostei muito da comparação com infarto e avc, esses podem deixar sequelas muito maiores que um câncer... Doença, qualquer uma, diagnosticada no ínicio tem prognóstico melhor. Acho que cabe a nós desmistificar essa história de câncer = senteça de morte! beijos!

Anônimo disse...

Mais uma vez fiquei muito contente em ler o teu blog agradeço-lhe mais uma vez (penso que sou repetitivo) por desmistificar este tema. Parabéns. Muito obrigado. Charles